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segunda-feira, 8 de junho de 2015

A justiça da religião e a de Cristo

A justiça da religião e a justiça de Cristo




Não, não concordo com o uso de crucifixos como supositórios, nem alusões e representações crucificadas que deturpem de propósito símbolos da fé cristã, muçulmana ou de qualquer outra. Se não é crime, deveria ser. Mas a raiz das afrontas na Parada Gay nasceram no seio evangélico.

Sim, você não leu errado. Mas calma lá que vou argumentar.

Estamos no meio de Jerusalém, por volta do ano 30 de nossa Era. Os escribas e fariseus, mestres na Lei judaica, trazem uma mulher que traiu o marido para ser apedrejada. Jesus diz a eles : "Quem estiver sem pecado algum, que atire a primeira pedra nela". Sentou-se e viu todos saírem muxoxos sem sua justiça feita. E sobra somente ela, a mulher, à qual ele perdoa os pecados, e convida a não mais pecar.

Na cena do apedrejamento, temos dezenas de pecadores que se sentem capazes de efetuar justiça sobre a mulher adúltera, aptos a aplicar a sentença de morte cruel a ela. É a lei, veio de Deus para Moisés, e era inquestionável.

O que Jesus evidencia é que nenhum deles ali estava apto a ser executor da sentença, pois pelo fato de todos ali serem pecadores, os torna tão réus quanto a mulher em questão. Se o pátio do templo virara um tribunal a céu aberto, então a presença deles ali era como uma rendição voluntária - deveriam estar junto dela no mesmo banco dos réus.

A aplicação de sentença deles era uma justiça pobre e hipócrita, que se achava capaz de tirar a si mesmo da situação, apesar de serem tão pecadores quanto, apesar de reunirem tantas provas contra si mesmos quanto o seu alvo. São bandidos julgando bandidos usando o Código Penal.

Por isso Jesus diz, em Mateus cap. 5, que nossa justiça tem que ser maior que a justiça dos fariseus e escribas, doutores da religião, mestres dos pode-não-podes. Pois não temos como sermos nada além de réus. 

Porém se seguirmos como discípulos, imitando-o com nossa vida e ser, então Ele, Jesus, se faz fiador eterno das nossas falhas, e nos tornamos réus refugiados na Graça, refugiados no Amor de Deus, na sombra da Cruz. Sempre seremos refugiados Nele, pois nada mais temos condições de ser do que fugitivos da Ira de Deus sobre o mal que há em nossa natureza. Mas Jesus assumiu pra si essa sentença, pagando nossa dívida. Escondidos na Cruz Dele, estaremos em paz. 

Mas toda vez que tentarmos sentar na cadeira de juiz, ilegalmente atuando como "oficiais de Justiça" sobre o outro, então estaremos saindo da sombra da Cruz, estaremos achando erradamente que não somos mais réus, que somos justos para atirar a pedra. 

Só sai da sombra da Justiça de Cristo, da sombra da Cruz, quem confia em si mesmo como sem pecado. Porém "se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemos Jesus passar por mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1 João 1:8-10)"

Jesus poderia ter tacado a pedra. Ele não tinha pecados. Mas preferiu a vida, preferiu ser amoroso, oferecer comunhão e Graça. 

Quando foi ser preso, após a traição de Judas, os discípulos incitaram a Jesus pra reagir. E Ele mesmo disse "voces nao sabem que eu poderia pedir e legiões de anjos desceriam para me defender?". Ele poderia, porém não o fez. Pois apesar de ser um direito Dele, Ele escolheu não exercer seu direito por amor a nós. Sem a renúncia de seus direitos, não haveria Cruz, não haveria Graça, não haveria perdão.

E nisso consiste a Justiça de Deus, pregada por Jesus, justiça que excede a dos escribas e Fariseus, doutores da religião. 
Não é na execução da sentença prevista, mas na abdicação da mesma em favor do outro, por amor ao outro. É sofrer a injustiça, por amor ao próximo. É sofrer a Cruz, por ver nela a chave da libertação do outro. 
Por isso mesmo Jesus diz: "Quem quiser me seguir, venha depois de mim, tome sua cruz e me siga. Voces ouviram o que é dito na Lei. Olho por olho. Porém eu digo a voces: se lhe acertarem uma face, oferece a outra. Se tentarem roubar sua capa, dá também tua túnica. Se lhe forçarem andar uma milha, anda duas".

Em outras palavras, além de nao podermos sentenciar, também sempre que nos sentirmos lesados por outro, devemos responder em amor, mesmo que, do ponto de vista nosso, seja justo sentenciarmos e punir à altura. Abdicar, desistir de retrucar, de devolver na mesma moeda...

Primeiro porque você é réu redimido e não tem moral pra sair de debaixo da Cruz. 
Segundo porque ao pagar o mal com o mal, não se mata ele. Apenas o realimenta. Ofensa pagando ofensa, alimenta o fogaréu da discussão. Afronta peitando afronta, apenas alimenta mais ainda um ciclo de morte, seja física, seja moral, seja de alma. Jesus nos diz pra pagar o mal com o bem, sufocando-o rapidamente, tirando do mal o combustível que ele poderia encontrar em mim. A bondade e o amor de Cristo desconcerta o mundo.

Quando Jesus cita essa lei, não é para olharmos com um olhar de condescendência falsa e piedosa aos não-crentes, como quem diz "coitados, eu sou superior na minha fé e santidade, deixe-me ajuda-los, vou oferecer a outra face pois ele é pecador tadinho"...mas sim para que saibamos como lidar conosco mesmo em relação ao outro quando nos sentimos ofendidos, injustiçados, traídos...são mandamentos reflexivos, são para dar etiqueta santa, bons modos, na tratativa entre os condenados que se refugiam na Cruz.

Jesus que é a Palavra de Deus, o Logos, não reagiu, não exerceu seus direitos de julgamento nem de castigo. Antes, aceitou ser humilhado, açoitado, rejeitado e até esquecido por homens de todas os séculos. Foi zombado. Se com o Mestre fazem assim, deveríamos esperar algo diferente para os que são discípulos?

Onde entra Malafaia e a Parada Gay?

A falsa sensação de serem procuradores de Deus, executores de sentenças celestiais, leva milhares de evangélicos a polarizarem a mídia e a política em uma Guerra Fria entre religião e movimentos tipo LGBTS. Réus de ambos os lados. Cristo oferecendo abrigo a ambos.

Aí os cristãos cutucam a onça na condição de sentenciadores, para um publico que já vive questões internas tremendas, espera apenas rejeição da sociedade, familia, Deus...gente machucada, gente assustada, gente que luta consigo mesmo...e esperam que eles retribuam polidamente?

Quando se propõe afrontas, manifestações e dedos condenadores dos líderes evangélicos - que se fizeram Papas evangélicos por nossa passividade - estamos alimentando um ciclo de morte, de pagar mal com o mal, por defesa da honra de Deus. 

Esse ciclo de morte do mal pago com mais mal, só favorece quem precisa e vive disso - pastores midiáticos e ativistas de ambos os lados. Gente que some sem escândalos semanais.

Não parece Deus precisar de advogado. Ele já deu ao mundo a  Igreja, que deveria ser manifestação da sua Graça, seu Amor, sendo Sal e Luz na vida de todos. Ele não faz questão de evitar a injustiça maior no Filho, Jesus tomou pra si as dores e condenações ao invés de mandar o mundo pro inferno....Se Jesus foi repelido, crucificado, desprezado e zombado...

Nosso bom testemunho já é uma carta viva de defesa. Esse ciclo de morte e afrontas só promove afastamento, reações cada vez mais exageradas e desequilibradas, de pastor chutando imagem de Maria, até gente fazendo crucifixo virar supositório...

Emitamos a nossa opinião sim! cobremos respeito pelos nossos símbolos sim! Mas ofereçamos ao publico todo (LGBT inclusive) comunhão, convivio em paz, sermos gente boa de Deus, anunciemos a Jesus,,,com opinião expressa mas não imposta. Com amor e abdicação em favor do outro, com misericórdia e não com justiça da religião, eles serão atraídos pelo doce perfume de quem faz a vontade de Deus,

Ensinemos sim profundamente desde nossa casa até a igreja, e crianças...pois pessoas bem treinadas nas suas doutrinas, não temem ondas de influência externas. Gera membros e crianças que sabem trocar de canal, sabem não assistir, sabem explicar...assim ao inves de tentar podar o mundo, ofereceremos a ele gente sólida e que brilha com uma luz que incomoda só por brilhar, e que aquece sem queimar ninguém. Nosso Senhor não pediu pra sermos tirados do mundo, mas para sermos salvos do mal.

Em Cristo, que podia ter reagido mas abdicou por amor e Graça,

Bruno

domingo, 1 de março de 2015

A igreja, os doentes e o amor ao próximo



Mais um verão chegou, e mais uma vez as epidemias e doenças típicas como dengue, viroses e afins. Dormimos com o ventilador ligado ou a janela aberta, com pouca vestimenta, e acordamos gelados, resfriados, gripados, com dor de garganta. Pisamos no chão descalços, tomamos muito sorvete e refrigerante gelado, cerveja "trincando de gelada"...

Em breve chegará o inverno, e com ele as epidemias e doenças típicas do clima frio.

Gostaria de considerar com você o papel da igreja nesse cenário todo. Estamos aqui no estado de SP, e em especial em Sorocaba, vivendo uma epidemia de dengue neste Fevereiro de 2015.

Vamos ver duas posições : UMA IGREJA QUE TRANSPIRA, e UMA IGREJA QUE RESPEITA.

UMA IGREJA QUE TRANSPIRA

A igreja não é o templo nem a bandeira da denominação, portanto entenda daqui pra frente no texto, que me reporto à igreja como "povo de Deus que se encontra semanalmente".

Primeiramente, a igreja tem um papel decisivo na sociedade, no sentido de que ela é e deve ser sempre usada por Deus para levar ajuda, ser sal, ser luz, ser as mãos e os braços de Deus na vida cotidiana. 

Deus ajuda? Intervém? Faz milagres e manda anjos? Claro que sim, mas não é de hoje que Ele nos dá, como filhos Dele, a oportunidade de nos tornarmos mais parecidos com Jesus e oferecermos uma fé completa, que não apenas diz acreditar, mas derrama suor na busca pelo bem dos demais ao meu redor. O apóstolo Paulo, no século I viu a necessidade e pobreza da igreja dos cristãos de Jerusalém, e ao invés de apenas orar, ele SE FEZ BOA NOVA e levantou entre as diversas comunidades cristãs (especialmente a Macedônia) uma ajuda e fez com que isso chegasse até a Judéia.

Fé sem olhar pro lado não é fé, é crença. A fé não somente suspira, nem aspira, mas só é real quando transpira!

A comunidade deve olhar para seus membros e buscar saber COMO agir em prol deles, levando alívio, procurando saber as necessidades, nem que seja companhia (se permitido pelo médico). E essa ajuda deve ser estendida a todo o derredor onde a comunidade cristã vive. Numa epidemia, os velhos e crianças estão vulneráveis? como podemos protegê-los?

Todos têm como se tratar??

Fazer mutirões pelo bairro, distribuir remédios ou proteções...tudo isso é ser Luz e ser Sal, dar gosto no mundo, com tempero de Jesus.

UMA IGREJA QUE RESPEITA

Quando alguém da comunidade da igreja esteja adoecido, especialmente se é contagioso, eu fico me perguntando porque o BOM SENSO é esquecido pelos membros ao se reunirem.

É gente com conjuntivite, com olhos esbugalhados, vermelhos, e achando que óculos escuro vai resolver o assunto. 

É gente com dor de garganta cavalar, quase sem voz, dando beijinho e botando a conversa em dia SEM AVISAR nada...

É gente caindo de gripe, e até mesmo gente com DENGUE, que se presta a ir em TODAS as programações da igreja, independentemente da quantidade de gente presente.

E antes que venham falar, dengue pega sim, se houver insetos picadores como pernilongos no ambiente que possam fazer a mediação.

Gente com virose que vem dar "Paz de Deus".

E pior, ainda tais pessoas vêm interagir e brincar com bebês, criancinhas...nossos filhos, sobrinhos e netos. Pequenas pessoas que ainda não tem uma carcaça escolada em viroses como os adultos.

Gente amada, gente de Deus, tenham bom senso!! Você interage com dezenas de pessoas na igreja, cumprimenta, coça, tosse, abraça, beija...são partículas e gotículas de saliva, que saem pela sua respiração, pelo seu falar...você esfrega os olhos ou põe o dedo na boca e depois encosta no banco da igreja, na mão do outro...

Só porque a interação é dentro do templo, não significa que Deus "esterilize" com um álcool gel espiritual a nossa interação lá! Crente também fica doente! não vale citar o capítulo final de Marcos onde diz que "pisarão em escorpiões e levarão picadas de cobra, tomarão veneno, e nada lhes acontecerá". Se expor ou expor os outros à sua doença é, no mínimo, tentar a Deus, esfregar a Bíblia na cara Dele e dizer "ei, você é obrigado a não me deixar adoecer". Se assim fosse, não teríamos crentes nas filas de consultórios médicos e hospitais!

Levar seu vírus, sua dor de garganta, sua doença pra dentro do templo é uma falta de consideração enorme, é falta de amor e preocupação com os irmãos. E sem amor, já diz Paulo ao Coríntios, de nada vale a sua fé ser gigante.

A própria bíblia nos traz a mensagem: "cada um procure aquilo que é proveitoso para o outro, e não para si mesmo". Sendo assim eu deveria preferir não ir doente e prejudicar meus irmãos do que ir só porque eu sinto falta de ir no culto.

Tenho reticências ao fazer uso do Antigo Testamento, mas uma coisa é clara: pessoas doentes Deus orientava a ficarem afastadas dos aglomerados de gente e do arraial.
Os hebreus nem sabiam que existia vírus e bactérias, mas Deus sabia e deixou isso evidente.

Exerça amor pelo seu irmão em Cristo, não leve doença pra igreja, especialmente as que passam de um pro outro (contagiosas).

Há até quem bata no peito e diga "estou caindo de gripe, estou até sem voz de tanta dor e garganta, mas VIM NA CASA DE DEUS PRA ADORAR". 
A pessoa ainda chega a pensar que tal sacrifício agrada a Deus...é gente que pensa que bater ponto nas reuniões semanais e programações, faz dela mais santa ou mais protegida.

Primeiro que Deus não tem casa. A igreja que Deus tem é , nas palavras de Paulo, "um edifício vivo, feito de pedras vivas (eu e você), edificados sobre a pedra angular e principal chamada Jesus Cristo". O templo é apenas conveniente pra abrigar tanta gente. Deus mesmo diz a Salomão: "em que casa habitaria eu?"

Segundo, que adoração e louvor é vida aplicada, e não um momento da semana. Não se encontra Deus no templo, se encontra no existir. Lá encontramos na igreja-templo os irmãos e com eles nos alegramos, oramos, aprendemos. E Jesus promete sua presença nesse ajuntamento santo. Ponto.

Assim sendo, seja misericordioso, e poupe os irmãos da igreja dessa carga de doenças...basta ser ruim pra você. Pode ser que o outro sofra muito mais que você, gaste um dinheiro com remédio que ele não possui, e vá pra um hospital que o convênio médico dele não cobre. O filho dele pode queimar a noite toda de febre...

Você é capaz de dormir com isso na sua consciência? Qualquer um que siga a Jesus de verdade não ficaria em paz.

Estenda a mão, faça sua fé suar e tenha bom senso!!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ebook - Ensaio sobre a Graça

Um conceito esquecido chamado Graça


Nada mais carece tanto ser entendida no nosso meio do que a Graça de Deus.

Você já se viu ansioso, neurótico, pois não tinha certeza de estar salvo o suficiente? perto de Deus o suficiente? 

Já se sentiu impróprio para estar na igreja após ter tropeçado e pecado? Sequer conseguiu exercer seus ministérios porque se sentiu miserável, sujo, um verme pecador e que não merecia trabalhar na Obra de Deus ?

Já ficou se policiando o tempo todo em cada respirada, tentando cobrir todas as suas possíveis faltas? Já achou que conseguiu mas se viu frio dentro da sua vida com Deus?

"Jesus morreu por nossos pecados na cruz. E o que isso implica na minha vida com Deus?" - você já se fez essa pergunta? 

Se você pensou SIM, o Ebook abaixo - gratuito - pode fazer a diferença no seu coração.

Sentimos que alguma coisa tem que nos dizer ou nos mostrar que iremos para o Céu. Alguma coisa deve ser feita pois não sabemos se somos mesmo salvos, pois sentimos uma angústia em nós, um medo de estar errando...de descobrir no fim da vida que você não foi bom o suficiente...não conseguiu correr a corrida...





Com tantas coisas esquisitas pregadas pelas igrejas da TV, em livros e tantas "receitas espirituais infalíveis", a cada nova pregação que ouvimos ou lemos nos sentimos em falta com alguma coisa, ou nos vemos em busca de um "novo segredo espiritual" capaz de satisfazer nossas angústias e desejos.

Será que esse "mundo gospel" é realmente necessário? está tudo correto? se não estiver dentro dele, será que eu estarei condenado ao inferno? 

Comprar kit de unção é bíblico? fazer votos e jejuns a Deus em busca de bençãos, é lícito?

Como cantar "Eu sou livre" e sentir-se tão restrito por dentro e fora?

Estes e outros assuntos relacionados estão nesse livreto.



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Noé (2014): uma opinião de quem gosta de filme!

Noé: comentário de quem gosta de filme



Não é brincadeira a quantidade de críticas que existem circulando na web sobre Russel Crowe no novo filme Noé.
Eu gostaria de escrever o que achei do filme do ponto de vista de quem gosta de filme.

Desde os fundamentalistas religiosos até os fundamentalistas "anti-biblia: Todos tem algo a acrescentar, evidenciar e julgar.

O blog Drops de Fé é pra coisas da fé, mas a fé muitas vezes deve ser prática e ultrapassar a religião, não ignorando que estamos no mundo, mas amando e retendo o que é bom!

Mais pro final eu dou uma comentada mais “crente”, por hora falemos de cinema!!

O filme é um épico blockbuster perfeito. Excelente como épico.

Paisagens e Cores



A cenografia é muito boa, marcante. Sejam pastos verdejantes ou colinas desoladas, a paisagem é recheada de elementos intensos e que transmitem a sensação que o lugar deveria passar a quem lá estivesse.

A iluminação do filme é muito bem feita, sendo sombria quando tem que ser, quente e acolhedora quando o momento é de intimidade e ternura, e claro e majestoso quando os eventos precisam. Não é daqueles filmes que ficam escuros e cinzentos o tempo todo.

Assista em 3D digital se puder, vale muito a pena!


Ritmo

O ritmo do filme é intenso, e nos poucos momentos de calmaria, o diretor coloca certas revelações ou interações entre os personagens, a fim de comprimir a mola do enredo para mais uma sequência intensa.

Aliás, os momentos de ação, de drama e tragédia são o que são e foram muito bem interpretados. Russel Crowe foi capaz de ser o bondoso devoto, e também o radical cruel, de maneira convincente. Noé neste filme não deixa de ser humano, ter dúvidas, raiva, sangrar e suar. Tem um ar revival de gladiador no Noé de Crowe, mas que foi bem dosado.

Emma Watson foi bem mais marcante do que sua costumaz Hermione de outrora, batendo um bolão de drama em seus momentos com Noé. Mas ainda acho que falta ela ter mais abertura e movimento nos olhos. Eles continuam com pouca expressividade.

Anthony Hopkins está como sempre, um ator de primeira - e cada vez mais - rara grandeza, fazendo um Matusalém digno de se ver.



Do ponto de vista de humanidade, o que se diz por aí é verdade - o filme deixa Noé e outros personagens citados, muito mais humanos e "feitos de carne e osso", sendo capazes o tempo todo de fazer tanto o bem quanto o mal (que teoricamente está justificando o dilúvio).


Detalhes valiosos esquecidos...

Apesar de tanta coisa boa no filme, o figurino das pessoas no filme está com ares de Mad Max, pessoas usando calças e camisas de manga, ambos feitos de couro, pele de ovelha e outros tecidos rústicos...bem distante do que se poderia esperar a mais de 6000 anos atrás.
Veja na foto que até touca as blusas tinham. Até pra um filme de Robin Hood estaria "morderninho".
 


Idem para facas de aço e utensílios semelhantes, que só apareceriam muito tempo depois quando o homem iniciou a forja de metais. 

Aliás, diga-se de passagem: para quem defende tanto o vegetarianismo implicitamente, os personagens usarem materiais de couro é meio contraditório (risos).

Veja que a bíblia narra que Zípora esposa de Moisés usou uma pedra afiada para circuncidar o filho Gerson a caminho do Egito. Facas de sílex, de pedras lascadas e coisas semelhantes eram mais plausíveis.

Outra coisa - o pessoal usa sapatos!! botas de couro estilizadas, parecidas com a Idade Média! Tenho muitas dúvidas se isso seria possível.

Roteiro

Agora vamos à história, ao enredo, o roteiro do filme.

O enredo é bem linear e entrelaçado, sem aqueles momentos do tipo "de onde raios sai essa coisa?" ou "como assim a história chegou nesse ponto?". Palmas pra produção do filme.

O roteirista explora bem os ícones ou marcos da narrativa bíblica, preenchendo as partes entre eles – não contados nas escrituras – de maneira inteligente.

Qualquer adaptação ou história escrita no século 21 – como esse novo Noé – vai carregar as preocupações e morais do século 21.

Em Noé (2014), a temática central é o castigo de Deus sobre a humanidade que “estragou” a Criação linda e perfeita. Que Deus está erradicando uma praga, pois não sabemos usar da Terra o que ela oferece na medida do necessário somente. 

O Greenpeace (que eu admiro) ficaria muito satisfeito. É feito uma defesa dos animais, e também certo preconceito do hábito carnívoro do homem, tratando como algo supersticioso e desnecessário. É citado que o homem deveria cuidar de cada par de bichos pois eram preciosos para a Criação e únicos, que não poderíamos descuidar e deixar que uma espécie sumisse da face da Terra!

Um comentário “mais cristão” (parêntesis propositais)

Como cristão, posso tecer comentários sobre a história contada.

Se você espera um retrato da narrativa bíblica, esqueça. É baseado nela, mas virou uma história a parte. Muito boa e empolgante. Mas a parte. Se você quer a história original, leia em Gênesis. O filme em questão é pra curtir, não pra doutrinar! Se você espera uma aula de Escola Dominical feita por Hollywood, continue esperando (risos)...

Lembre-se que é um filme de Hollywood, e precisa dar lucro. Precisa ter elementos típicos de filmes épicos, arquétipos como o herói, a escolha do herói entre o caminho do bem e das sombras, o mito do vilão arrependido que alcança paz e se redime, etc, etc.

O roteirista claramente teve contato com o livro apócrifo e pseudoepígrafe de Enoque (citado na epistola de Judas no NT), especialmente no tocante aos anjos Sentinelas que caíram expulsos do Céu, algo citado também na Bíblia atualmente aceita, nos livros de Genesis (cap 6) e Judas.
A lógica da queda desses anjos (Gen 6, e Apócrifo de Enoque) foi invertida, e eles passaram a ser “os injustiçados” por terem tido compaixão do ser humano expulso do Paraíso. O fato de eles terem tido filhos mestiços com as humanas nem foi citado!

Foram incorporados ao enredo personagens diferentes ou fora de contexto, como Tubalcaim que era construtor e não um general. Ila, a filha adotiva de Noé (pra dar um drama), que é esposa de Sem.

Falando em personagens alterados, o filme trata o Matusalém, avô de Noé, como um velho curandeiro, cheio de mandingas e mágicas para curar e alterar as coisas...como um velho pajé ou druida...

Uma coisa bem retratada – e caricaturada no Tubalcaim da história – é a violência e brutalidade da humanidade daquela época, animalizada. Muito bem retratado a grosseria, o quão “broncos” eram aqueles que viviam. Muitas vezes lemos textos da Bíblia no Antigo Testamento e esquecemos que o homem daquela época matava e mutilava os inimigos, e ia dormir super tranquilo. Diferente do homem de hoje, todo polido, com etiqueta e opiniões do que é certo e errado, politizado...

Enfim meu querido e minha querida, se você espera um filme que te faça aprender essa história da Bíblia, espere os irmãos Kendrick filmarem Noé, e fazer sucesso como em Desafiando Gigantes e A Virada. No mais, não procure pelo em ovo, lembre-se que o filme é hollywoodiano e tem que bombar nas telonas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Os chacais da fé

Os chacais da fé



Uma muleta de compensação ao ignorar a Graça, e uma das mais perigosas e diabólicas, é o neo-gnosticismo ou gnosticismo cristão. Os gnósticos eram pessoas que se consideravam detentoras de segredos poderosos para iluminação e sucesso espiritual, segredos e métodos (fora de Jesus), manipuláveis pelos iniciados[1].

Missionários, apóstolos, evangelistas e outros entitulados têm trazido isso para dentro das igrejas novamente, baseado em suas “experiências sobrenaturais” e seus frequentes passados ocultistas. Ex-bruxos, ex-satanistas, gente que “morreu” e voltou, cada um com uma revelação diferente e todos detentores de segredos sobre a “dinâmica do mundo espiritual”. Claro que sempre seguidos de uma agenda de palestras apertada, livros e DVD’s a pronta-entrega e seminários caríssimos.

Eles não tem igreja. Vivem itinerantes nas igrejas já formadas, em palestras, seminários e em materiais cheios de “mística cristã”. E nessa época de redes sociais e Youtube, roubam silenciosamente a mente das ovelhas que domingo comungam na igreja séria, e depois ao longo da semana se alimentam pela internet dessa heresia contagiante.

São os chacais da fé, que vivem da carniça da igreja dos outros, de vítimas machucadas e fracas que os lobos da fé não quiseram. São diferentes dos lobos. Os lobos em pele de cordeiro já são conhecidos e reconhecíveis, são os que exploram o povo de Deus legitimamente inseridos como pastores/líderes de uma denominação, administram uma igreja e suas ovelhas de maneira escusa e maléfica. Criam sim muita bobagem teológica, e inventam sim muitas maneiras de enriquecer. Mas são pastores de carteirinha e arcam com tudo que envolve a administração eclesiástica. Os chacais não são arrojados o suficiente para fazê-lo, apenas vivem de maneira covarde no meio das que já existem, vivendo do aprisco dos outros.

Esses gnósticos cristãos são chacais, que não caçam, apenas andam sorrateiros de igreja em igreja em busca de carniça, de resto daqueles que se empenham. Sequer tem a honra de serem predadores legítimos. E no primeiro alarde, se embrenham no mato e somem novamente à espreita, até momento oportuno.

Eles criticam os mercadores da fé da mídia, mas eles mesmos são menos que isso. São mascates de mistérios, mascates da fé, que vão de porta em porta oferecendo itens “exclusivos” que eles mesmos distorcem e fabricam para seu sustento.


Características – identificando um chacal

Despertam um universo de terror na mente do cristão, e oferecem humildemente sua gnose (sabedoria secreta) como saída para os aterrorizados. Interagem rotineiramente com anjos, demônios, lutam com príncipes do inferno, vão e voltam do inferno ou do céu, e não raro falam diretamente com Jesus em carne ou são tentados pelo próprio diabo - que na história toda da bíblia só fez isso pessoalmente duas vezes: com Adão, e com Jesus – o segundo Adão.
Me admiro o que tais pessoas tem que possam estar em pé de igualdade para tamanha tentação. Paulo teve um espinho na carne, e estes chacais enfrentam o “tinhoso” em pessoa.

Tudo que vem disso é baseado fora da Bíblia e qualquer apoio exegético[2] ou hermenêutico[3] sério dela. No máximo do razoável, podemos dizer que é empirismo, que montaram teologias em cima de sensações e experiências mentais particulares.

É justificado por tais “profetas” que seu ministério é de “libertar os cativos” deste “mundo tenebroso” que eles mesmos criaram no imaginário dos seus ouvintes/leitores. Os tais geram mais divisões do que edificam, “pescam no aquário dos outros”, aparentam frutos bonitos mas a longo prazo se mostram verdadeiros filhos do inferno e não defensores da luz.

Se mostram como as novas vozes que clamam no deserto, se vestem de João Batista, como se possuissem uma verdade nova e libertadora e fossem uma pequena luz no meio da escuridão do “sistema religioso contaminado”- um chavão muito usado. Na verdade eles não entram em nenhuma igreja e tentam consertar ou pregar com base teológica sólida.

São uma voz suave dizendo “venham vocês que estão cansados, e eu vos aliviarei”. Se travestem de anjo de luz. No fundo, apenas uma esperta estratégia de negar o que existe “no mercado”, para pescar os que estão cansados ou machucados.

Aliás, uma característica marcante é a de que sempre vêem e descrevem a si mesmos como “injustiçados e perseguidos por disseminar a verdade [a deles], e isso é o fardo de seu ministério, o preço por não aceitarem o sistema contaminado”.

Estes camaradas fazem uso, na construção de seu personagem, da saga do herói. Um passado sombrio, uma decisão difícil, a caminhada heróica e a missão messiânica de “levantar um exército”. Diga-se de passagem, outra característica é que achar o passado dessa turma é mistério, coisa de Indiana Jones.

Se você tiver tempo, procure na internet sobre a Jornada do Herói, que é uma maneira de construir mitos empolgantes, inventada pelos gregos antes de Jesus nascer. Pegue a tal biografia do líder e compare com essa maneira de contar uma fantasia. Veja se não existem paralelos escancarados entre o líder chacal e o mito do Escolhido. Procure biografias e livros de outros "ex"-alguma coisa e repare se não contam algo igual, trocando às vezes apenas o país/cidade e o sexo das pessoas citadas.

Dificilmente esses chacais batem de frente com leões (pastores comprometidos com Deus) ou com lobos (pastores desonestos). O chacal, assim como a hiena, não é um animal de combate direto. Assim, da mesma forma, estes carniceiros da fé vivem da subversão, da pregação “boca a boca”, de livros e DVD’s copiados de maneira furtiva para/entre membros de igrejas.


Normalmente estes profetas de “uma nova revelação” se embrenham furtivamente e serpenteiam itinerantemente por várias igrejas e comunidades, divulgando seus materiais e sementes “teológicas”.

A Teatralidade é quase uma marca registrada! Todos constróem para si um personagem, uma imagem, um traço característico. Tem os que criam um personagem judaizante, outro com ares de monge, outro com pompa de apresentador...
Grande parte desses chacais usam pseudônimos, nomes falsos, sob a justificativa de algum “nome de batismo espiritual” (qual a diferença que existe para nome de batismo da igreja romana?) ou por proteção de sua vida pois “entregam os segredos do mundo espiritual e/ou do sistema corrompido”. Ou então criam conspirações mundiais tenebrosas que estão caçando-os para matar. Porém eles tem conta no Facebook, Instagram, apresentam seminários em igrejas e salões, com endereço e hora marcada. Qualquer conspiração infernal é capaz de mandar algum atentado violento se quisesse. 

Esses chacais usam nomes falsos para encobrir quem são na vida real, pois quem convive com eles ou conhece a história real de vida deles e de seus parentes, sabem bem com quem estão lidando. Quem estudou junto, quem trabalhou junto, quem aparece nas biografias poderia ser questionado e expor que o santo é de pau oco.

Tão diferente de grandes líderes e heróis do evangelho, que deram a cara a tapa, foram presos, torturados, sofreram preconceito e todo dia tem que dar bom testemunho e dizer a verdade, pois senão todos os que o conhecem poderiam denunciar a falsidade.


Dinâmica dos chacais: vida, sumiço e retorno

Às vezes tem breves períodos de celebridade, ajuntam adeptos com seu discurso, formam “centros de treinamento”, “bases de pregação”, vendem muito material (livros e DVD’s) e são tidos como “autoridades espirituais”. Se estrelizam.

Frequentemente interagem com outros chacais, e na hora de atacar os leões e lobos da fé, se unem, se amam. Quando sobra a carcaça das igrejas atacadas, se mordem entre si.

A dinâmica destes chacais da fé tem sido a mesma por décadas. Depois de ajuntarem seu séquito de fãs, todos sedentos por algo dito “novo e puro”, recaem em um de dois grandes caminhos: envolvem-se em algum escândalo ou em um cisma (racha, divisão) com seus liderados, o que os leva rapidamente a outro período de serpentear na penumbra até que todos esqueçam.



São porta-vozes de conceitos nebulosos e controversos como “mapeamentos espirituais” de cidades e bairros, localizando “portais do inferno” por onde o mal entra, fechando “brechas espirituais” e “canais ou shakras” nos fiéis, por onde os demônios supostamente se ligariam; Seguido a isso há certo uso de “atos proféticos” e outras profetadas que atrapalham a vida dos que recebem tal informação falsa, ou acabam por concretizá-las por profecia auto-realizada[4].

Estes mascates da fé, chacais de igreja, assim como os chacais da natureza, só existem porque existe um nicho ecológico para eles; existe a geração de carcaças e carniças que nem os leões nem os lobos se interessam. Carcaças de igrejas, e ovelhas com vidas destroçadas chamam alguém que se alimente delas...é um banquete fácil, que não exige trabalho. É resto do trabalho dos outros.

Você me pergunta como eu sei? Já fui um dos “capturados” por chacais, alimentei e ainda defendi. E durante esse período vi outros chacais que andavam junto ou próximos. E todos partilhavam as mesmas características.


Características do ministério dos chacais

Para quem já viu de perto, é possível traçar alguns elementos comuns do ministério desses chacais.
Primeiro, olhe para você mesmo. 
Você está cada vez mais paranóico, enxergando o oculto e o sobrenatural em tudo. Talvez você não consiga mais reconhecer a Graça de Deus ao seu redor, mas está super entendido(a) de diabo, demônios, portais e teorias da conspiração global. 

E como é prazeroso a você se sentir parte de um grupo especial, que diz conhecer segredos ocultos, saber a "real verdade" ignorada pelos demais crentes! E com o tempo você passa a tentar explicar essa "verdade oculta" para todos que encontra, especialmente os crentes que ainda não conhecem isso, como se fosse um revendedor de cosmético comissionado. 

Uma característica desse tipo de seita é tratar o grupo como um conjunto de "iniciados", que conhecem algo secreto, um grupo de "resistência" contra tudo e todos. Quem questionar é porque ou é usado pelo Maligno ou é porque é ignorante, não está preparado para ouvir, e "está sendo enganado em igrejas mornas e inofensivas".

Agora, que conhecimento é esse que não pode ser encontrado na Bíblia? que teologia é essa que não consegue ser compatível com grandes heróis modernos da fé como Lutero, Calvino, Santo Agostinho, etc? isso faz parte do complexo de "messias" desses líderes chacais: só ele é o esperto, o iluminado, mais do que todos esses mártires que falavam latim, grego, hebraico e outras 3 línguas, montavam comunidades sob risco de perseguição. Gálatas 1:8 - ainda que um anjo de luz apareça com outro conteúdo "adicional" ao evangelho, que seja maldito. Como um pastor amado me disse certa vez, "se nem o que está no Evangelho você está fazendo 100%, você ainda quer colocar mais?"

Pense e repare: muitos dos workshops, seminários e materiais divulgados (não raro, vendidos e pagos) deixam você extremamente focado em cálculos complicados e ginásticas mentais para fazer os versos da Bíblia "dizerem"  as coisas ocultas que o líder diz saber. A justificativa é que "o Espírito Santo revelou nas entrelinhas da Palavra". Mas se o Espírito é dado a todos os crentes, porque apenas ele o líder iluminado enxergou isso na comunidade?

Pense, quanto do que você aprende desse líder te remete às coisas abaixo?

  • Auto avaliação da nossa condição pecadora
  • Implantação do Reino e seus valores pelas mãos suas como igreja
  • Busca por santidade 
  • Boa mordomia do que foi dado por Deus, abençoando nosso semelhante


E para esses líderes, as igrejas 'convencionais' como presbiteriana, batista, etc são ditas 'inofensivas' pois não estão atacando o problema real, cuja verdade oculta vocês da seita conhecem. Então o melhor, na fala do líder, é você sair delas e ficar no "remanescente fiel" ou qualquer outra figura de linguagem do velho testamento (eles adoram figuras como Gideão e seus 300, Josué e outros que foram "peneirados" por Deus, pra dizer que quem está com eles é também alguém fiel e peneirado por Deus).

Se você botar reparo, vai ver que confia no que ele(a) missionário(a) fala não devido a ele(a) conhecer a Deus, mas pelo tanto que ele conhece do lado do diabo (supostamente). Você tem mais medo do mal do que amor pelo bem, na prática.

Você acaba gastando mais do que pode em prol do "ministério", prejudica seu descanso em prol desse 'missionário' e/ou sua equipe, mas raramente desfruta com eles do que foi arrecadado. Você participa da luta, mas não da comemoração íntima do grupo de líderes. Sua vida está ficando sempre em 2o plano, mas a dele(a) missionário(a) está avançando. Você se acaba para levantar fundos para campanhas e alvos dos quais não participará, sem com isso angariar nenhum prestígio ou carinho da parte da liderança.

Aliás esse é um traço bem característico: há um círculo íntimo e fechado ao redor do líder, extremamente difícil de ter intimidade. Você interage sempre com intermediários da confiança dele(a). E o nível de atenção que recebe está diretamente ligado ao tanto de esforço que dedica, mas nunca o suficiente para se tornar amigo, um irmão chegado. Eles podem ir na sua casa. Você jamais tomou um café na casa deles. Que pastor(a) é esse(a) que não tem o cheiro da ovelha? Lembre-se de João 10 (leia todo), o pastor é íntimo da ovelha e vice-versa.

É bem comum nesse meio da liderança de chacais, serem criados "grupos dentro de grupos". Você nunca está em todos por mais que se doe. Eles acabam semeando a discórdia e desconfiança entre os membros, maldizendo aqueles que estão receosos ou começaram a questionar a seita. Eles incentivam a denúncia mútua de "possíveis desertores" para serem perseguidos, ameaçados sobrenaturalmente ou de gente de fora apontando os podres, para serem processados judicialmente. São táticas dignas do 3o Reich! 

E basta um erro, uma discordância - mesmo que justa, pautada na Bíblia - para você ser colocado na "geladeira" ou "no banco". Questionar o(a) líder é ir contra a pureza do ministério. Se insistir no questionamento/discordância, os métodos mais facistas são utilizados: bloqueio nos grupos de rede social, afastamento das funções nas reuniões, e comunicações cada vez mais ásperas. E quem tem contato com o líder e seu círculo, recebe uma enxurrada de comentários e invenções que visam assassinar a reputação do quesitonador. Exceto se a pessoa 'abaixar a cabeça' e reconhecer que o líder estava certo, e claro, ele por ser "muito de Deus" vai perdoar na frente de todos, com um grande show.

E isso leva a outra característica: a cada tanto tempo, surge alguém que soma e se destaca no meio da comunidade liderada pelo chacal. Ele traz pra perto, exalta, honra, mas em pouco tempo acontece uma cisão, um 'racha' feio que é usado para aumentar ainda mais a 'aura' ao redor do líder traído, que tanto fez pela pessoa. Não raro, esse racha acontece pela liderança usurpar algo do ministério da pessoa, que inocente ofereceu seus serviços à comunidade.

Pode procurar que você vai achar inúmeras pessoas que passaram pelo tal ministro(a) e saíram queimadas, processadas judicialmente e usurpadas. Mas que agora, diferente dos bons tempos, são difamadas e tratadas como inimigas do evangelho "de verdade". E essa gente (o lider e seu grupo de confiança) são baixos, rasteiros, e vivem tentando juntar dinheiro às custas de processar quem "aproveitou-se do coração aberto deles".


Minha recomendação é: saia, saia rápido, sem muitas explicações ou desculpas. Apenas saia. Ignore ameaças como "perder a cobertura espiritual" ou "ficar com a brecha aberta, exposto(a) ao inimigo". Quem ama mesmo em Cristo, vai orar por você quer concorde, quer discorde de você. Não precisa de filiação ao clube.

Que possamos atacar os lobos como se fossemos leões, e aprendamos a achar os pequenos e astutos chacais no meio das nossas ovelhas!


 Glossário




[1] Iniciado: membro recém-treinado de uma seita secreta, em geral aprende o tal segredo e faz voto de silêncio
[2] A Exegese estuda como interpretar corretamente os textos, levando em conta história, sociedade da época, cultura de quem escreveu, ou seja, procura extrair o melhor possível o que tal texto significava para o autor
[3] A Hermeneutica atua em extrair o sentido e aplicação do texto para aquele que o lê hoje
[4] A pessoa fica tão sugestionada pela profecia que inconscientemente faz com que aquilo aconteça

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Os filhos que não queremos ter


Os filhos que não queremos ter



Muitas são as histórias por aí de pessoas que descobrem terem filhos depois de muito tempo. Anos depois. Já chegam criados e nutridos, apresentando características familiares e muitas situações delicadas a serem resolvidas.Aqui apresentamos filhos que você talvez não conheça, mas é possível que sejam seus, que voce os tenha gerado e nem tenha consciencia disso.

Você já buscou ou perseguiu coisas que te tomaram muito tempo, de maneira a perder outras coisas importantes na sua vida? Magoando muitas vezes aqueles que te amam?

Coisas que consumiram muito esforço e suor para serem mantidas, mesmo que não pudessem ser públicas?

Algo que consumiu recursos de outras áreas de sua vida, sem acrescentar nada ou ainda causando problemas nas outras áreas? E que você percebeu apenas depois de muito estrago?

Se sua resposta foi positiva, então você possui estas crias de iniquidade em sua vida.

"Não se enganem, cada um é atraído e enganado conforme a propria concupsciencia. Então a concupsciencia, havendo CONCEBIDO , DÁ A LUZ AO PECADO. E o pecado, consumado, GERA a morte"- Tiago 1.15

"Pois quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para DAREM FRUTO para a MORTE" (Rm 7:5)

Os filhos da iniquidade por você desconhecidos são os seus pecados de estimação. Aqueles que escondemos de todos, curtimos secreta e satisfatoriamente, e dedicamos partes diárias de nossa vida a mantê-los.

Tais filhos, pecados de estimação, são fruto legítimo da sua vontade e da essência do Maligno.

Muita coisa não percebemos pois nao consideramos certas coisas como pecado, mas através de analisar o comportamento ou impacto de tais coisas nas nossas vidas poderemos verificar se são ou não filhos iníquos. Pela árvore conheceremos os frutos.

Os filhos tendem a manifestar características semelhantes a seus pais, mostrando no seu aspecto e até em alguns comportamentos, partes de cada um dos pais. Um puxa os olhos da mãe, o queixo do pai...Em tudo isso uma essência é transmitida por cada uma das partes. Reconheceremos partes dos pais combinadas como caraterísticas dos filhos

O pecado então mata, rouba e destrói como o Maligno, como também têm as mesmas preferências e feições que você, o outro pai, que o concebeu dentro de si.

 
Mas vejamos o que a semente de cada parte contribui no filho chamado pecado.


O pecado - Tal Pai, tal filho

 
Ele tem a carinha do pai (Jo 10:10): o pecado rouba, o pecado mata, e o pecado destrói.

1 . O PECADO ROUBA

 
O pecado rouba tempo – Exemplos de hoje, são aqueles que perdem noites na pornografia, passam tardes na fofoca, manhãs inteiras tramando mentiras, práticas que nos tomam períodos de tempo preciosos, que poderíamos estar adiantando outras áreas da nossa vida, buscando a Deus ou levando-O ao próximo. E tempo é um recurso que o Inimigo sabe que não temos de sobra aqui. Por isso precisamos "remir o tempo, porque os dias são maus" (Ef 5:15-17). Um exemplo de ontem, é o povo do Deserto. Graças aos pecados de desobediência, murmuração, fizeram em 40 anos o que poderia ser feito em semanas...
O pecado rouba recursos – cônjuges que levam uma vida dupla, ou investem seus recursos nos vícios como bebida, pornografia, drogas, futebol fanático...
O pecado rouba forças – físicas e/ou mentais. Principalmente quando se trata de mentiras, do esforço que dá tentar mantê-las de pé a todo custo...criar novas, criar provas, etc. Encobrir uma mentira com outras é exaustivo.

O pecado rouba descanso e paz - Roubando força e tempo, o tempo de lazer também se esvai, e o resto de energia que seria reposto nesse lazer também é roubada! acordar de madrugada para executar seu pecado a sós, ou para encobri-lo...ou para pensar nas mentiras para cobrir mentiras...perde-se o sono preocupado com as consequencias ou consciencia do pecado.

O pecado rouba atenção,  pois ao gastarmos energia e tempo, fatalmente estamos ocupando nossa mente com isso. Maquinamos como obter mais pecado, e como nao sermos pegos ou nos sentirmos culpados por eles.

O pecado rouba comunhão com o Pai – Adão e Eva tiveram sua vida no Éden e suas conversas com Deus ao cair da tarde roubadas ao desobedecer.Ao roubar tempo, se esvai o tempo que passaríamos com Deus, e isso nos leva a morte espiritual ainda em vida na Terra. Viramos zumbis, com alma morta e corpo andando...indo a igreja...

2. O PECADO MATA
O salário do pecado é a morte (Rm 6:23). Mas morte muitas vezes é da alma. Pessoas andando por aí como zumbis de verdade, agindo por fora, mas mortos por dentro.

O pecado mata sonhos. Ao roubar tempo e recursos, o pecado tem tudo para matar sonhos. Pois sonhos podem nascer no coração, mas precisam de tempo e recursos para crescer – desde que haja força, esforço para utilizá-los.

Mata o amor e a tolerância, pois se rouba tempo, pode roubar convivência. Se rouba recursos, pode estragar o financeiro de uma casa. As forças roubadas levam a um cansaço e desânimo desoladores e nervosos, levando os envolvidos a viver uma situação limite. Já não há paciência. Qualquer gota transborda o copo.

Mata nossa força de vontade, pois a partir do momento que rouba nossa atenção, nossas forças...nos escravizou! E com isso, perdemos o ímpeto, a vontade própria, pois passamos a viver do pecado, para ele e por ele. Quando na verdade esse é o lugar de Cristo em nós (Rm 11:36)

Se nada parar o roubo, haverá mortes. E se ninguém parar as mortes haverá destruição.

3. O PECADO DESTRÓI

Destruição de famílias, pois o amor e a tolerância se foram, e não há mais amor, convivência, tolerância, tudo é problema, tudo é briga, tudo é conta pra pagar.

Destruição de igrejas, pois não há sonhos a serem seguidos, e a igreja tem cada vez mais "zumbis".

Destruição de carreiras, pois perde-se muito tempo com o pecado, e muitas vezes levam pessoas a saírem fora do horário dos seus trabalhos, a fim de saciarem sua gana.
Aí você pode me perguntar – e não sem razão – "Até agora o pecado mata, rouba e destrói , igual ao pai dele : o diabo. Mas e o que eu tenho a ver como parte dele? Que características de mim tal pecado tem?"

A sua parte no pecado - Ele tem os seus olhinhos!
Ele tem a sua carinha, oras. Não poderia ser diferente, afinal tem que ter partes de ambos e você colocou a sua. Um filho é o produto de duas partes.
"Mas não se enganem: cada um é tentado conforme a própria concupsciência". (Tiago 1:14)

Tal filho não poderá ser distinto de você. Do contrário ele não poderia roubar o que rouba, matar o que mata e destruir como destrói. Somente um legitimo herdeiro pode derrubar todo um reino da maneira mais danosa e triste : de dentro pra fora, e com legitimidade.

A sua carinha é passada ao pecado gerado, pois ele gosta do que você gosta, vai aonde você vai, ele é exatamente aquilo que você persegue, aquilo dentro de você que é seu ponto fraco, sua fraqueza, aquilo que ganha sua atenção e sua sede de resolução.

Se o que te prende, te ganha, é a bebida, então seu filho maligno terá exatamente a forma e o conteúdo do vício do álcool. Essa é a carinha que você dá a ele. O diabo vem e dá a ele o 'talento' de matar, roubar e destruir coisas na sua vida..

Tudo isso porque voce está nutrindo outra coisa dentro de voce. Algo que voce deixou conceber dentro de voce.


E como sair dessa?
Morrendo. Morrendo para o pecado. Acaso alguém vai cobrar parentes que morreram ?

O apostolo Paulo diz "morto para as coisas do mundo, para o engano, mas vivo para coisas de Deus" (Rm 6:11)

Quando o pecado vier bater à sua porta, deixe o obituário na porta, dizendo "Morri para o pecado". Não dizemos isso de pessoas que não queremos ver na frente? "Fulano morreu pra mim!"

É escolhendo a Cristo todo dia, nas pequenas e nas grandes coisas. É mortificar a carne para morrer para o pecado, assim por hoje ele deixará seu coração em paz, pois deu você por morto.

A cada dia que você escolhe Deus e não seu pecado, você o ignorou e agiu como se ele estivesse "morto pra você. E você, para ele". Abre-se um cartaz de "desaparecido".

Romanos 6:2-4 "nós que morremos para o pecado...como Cristo foi ressuscitado  vivamos em novidade de vida também 


MORRA PARA O PECADO, PARA ESSE FILHO DA INIQUIDADE, POR AMOR A AQUELE QUE MORREU POR VOCE.